Split payment: o detalhe da Reforma Tributária que pode impactar diretamente o caixa da sua empresa

A Reforma Tributária trouxe um conceito que ainda está passando “por baixo do radar” de muitas empresas: o split payment.

Na prática, estamos falando de um modelo em que o tributo pode ser automaticamente segregado no momento do pagamento, ou seja, parte do valor da operação não chega a compor o caixa da empresa.

Se hoje existe um “respiro financeiro” entre receber e pagar tributos, esse intervalo tende a desaparecer, ou, ao menos, ser significativamente reduzido.

E isso muda bastante coisa.

Não é apenas uma questão tributária, é uma questão de capital de giro, precificação e sustentabilidade do negócio.

Empresas com margens mais apertadas ou ciclos financeiros mais longos podem sentir esse impacto de forma mais intensa. Empresas que dependem desse fluxo para financiar suas atividades no curto prazo podem precisar rever sua estrutura de capital de giro.

Além disso, há um impacto menos óbvio, mas igualmente importante: o split payment reduz o espaço para erros operacionais, mas também diminui a flexibilidade financeira das empresas.

Ou seja, o risco tributário pode cair, mas a pressão sobre o caixa aumenta.

Por isso, a discussão não é apenas tributária. É financeira, estratégica e, em muitos casos, até contratual.

A pergunta que começa a se impor não é “quando isso vai acontecer”, mas sim: o seu negócio está preparado para operar com menos margem de manobra no fluxo de caixa?

Antecipar esse tipo de análise pode ser a diferença entre adaptação estratégica e perda de competitividade.

Por: Fernanda Petry | OAB/SC 60.353 | Bertol Sociedade de Advogados